Comprar ou alugar na maturidade: quando a liquidez financeira se torna mais valiosa que a propriedade física - Conselho Nacional de Pastora
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Comprar ou alugar na maturidade: quando a liquidez financeira se torna mais valiosa que a propriedade física

Comprar ou alugar na maturidade: quando a liquidez financeira se torna mais valiosa que a propriedade física

Você já parou para pensar que, às vezes, o maior patrimônio de uma pessoa pode se tornar sua maior armadilha financeira? Parece um contrassenso, eu sei. Afinal, fomos educados com a ideia de que ter a casa própria é o ápice da segurança. Mas, quando chegamos na maturidade — ali por volta dos 60 ou 70 anos —, a lógica do “ter” versus o “usar” muda drasticamente. Recentemente, atendi um cliente, o Sr. Ricardo, que vivia em uma cobertura espetacular nos Jardins, em São Paulo. O imóvel valia facilmente uns R$ 4 milhões. No papel, ele era rico. Na vida real, ele estava “enforcado”. O condomínio e o IPTU consumiam boa parte da aposentadoria, e qualquer reforma necessária era um drama. Ele tinha um castelo, mas não tinha liquidez para viajar ou para pagar um plano de saúde de primeira linha sem fazer contas. Esse é o cenário onde a liquidez financeira começa a dar um banho na propriedade física.

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O peso dos tijolos vs. a leveza do caixa No mercado imobiliário, falamos muito sobre valorização imobiliária, mas pouco sobre o custo de oportunidade de manter o capital imobilizado. Se o Ricardo vendesse aquele imóvel e colocasse o dinheiro em aplicações conservadoras, ele poderia gerar uma renda mensal que pagaria um excelente aluguel em um apartamento mais moderno, menor e funcional (com acessibilidade, por exemplo), e ainda sobraria uma quantia generosa para ele viver com conforto absoluto. Quando somos jovens, o financiamento imobiliário é uma ferramenta de disciplina financeira. Você “se obriga” a pagar e, no fim, tem um ativo. Na maturidade, a prioridade inverte. O tempo passa a ser o ativo mais escasso, não o dinheiro. Você quer liberdade para se mudar se a vizinhança barulhenta incomodar ou se quiser morar mais perto dos netos. Um contrato de locação te dá essa mobilidade em 30 dias; uma venda de imóvel pode levar 18 meses. A manutenção e o fator “dor de cabeça” Imóveis envelhecem. Canos estouram, fachadas precisam de reforma, a fiação fica obsoleta. Para quem investe em imóveis para renda, lidar com isso é parte do negócio. Mas para quem quer apenas desfrutar da vida, ser o dono do problema é cansativo. Ao optar pelo aluguel na maturidade, você transfere a responsabilidade da manutenção estrutural e dos impostos pesados para o proprietário ou para a imobiliária que faz a gestão de imóveis. Além disso, temos o fator sucessório. O planejamento patrimonial com imóveis físicos pode ser um pesadelo burocrático para os herdeiros (inventários, ITCMD, brigas por avaliação de imóveis). Recursos líquidos, por outro lado, fluem muito mais rápido e com menos atrito. Quando ainda vale a pena comprar? Não sou radical. Existe um componente emocional no “meu teto” que a planilha não calcula. Se você já tem uma reserva financeira robusta que garante sua liquidez e o imóvel é funcional, excelente. O problema é a concentração de patrimônio. Se 80% do que você construiu na vida está em um único endereço, você está vulnerável às oscilações do mercado imobiliário local. Se aquele bairro entra em declínio ou se uma obra pública barulhenta surge na sua porta, seu patrimônio inteiro sofre.

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